Exposição "ready made - manifestos" | na vitrine do Passeio das Virtudes nº3, Porto | 2017


Exposição de Livros De Artista e outras publicações "ready made - manifestos"

Data: Inauguração 19 Maio 2017 - a partir das 16h30
Local: Passeio das Virtudes, n.º 3

“A palavra “manifesto” deriva do adjetivo em latim manifestus, de manus (mão) e o adjetivo *festus, ligado à raiz *fendere; logo, o verbete assume um sentido primário de “tomado pela mão”, ou “palpável”. Metaforicamente, a palavra assume pelo menos dois significados, de acordo com Somigli: “torna-se um sinónimo para ‘evidente, óbvio’, como em ‘destino manifesto’ (...), e também implica no sentido de uma descoberta ou desvelamento” – Curadoria de Cristina de OAlves

Livros de Artista 
Alice Geirinhas; Do Carmo Vieira; Evelina Oliveira; Humberto Pinto; Francisco Xavier; Inês Machado; José Oliveira; José Rosinhas; Madame Zine; Manuel Santos Maia; Maria Eduarda Castro; Marta Ramos; Paulo Jesus; Rita Martins; Rodrigo Queirós e João Paulo Freire; Sónia Borges; Sílvia Simões; Xavier Almeida e Pato Bravo; Walter Almeida.

Outras Publicações:
Gerador Mag, nº 10 "Dar a cara ao Manifesto"; NevoAzul; TicketBook Project "envelopes"



A exposição de livros de artista pensada para este ano no evento “aos papéis” vem enfatizar dois caminhos que se cruzam, os 100 anos da criação da Fonte de Marcel Duchamp (1917) e o tema das Vanguardas artísticas através dos seus Manifestos.

Como pensar e fazer “livros” que sejam manifestações de um “outro” e/ou de uma “outra” forma, conceito, linguagem e simultaneamente possam ser o que são, como livros mas também como objetos, gestos, imagens, palavras, pensamentos, instantes e/ou memórias abertas à reflexão: do seu enquadramento artístico, das suas múltiplas definições e do seu estatuto na arte.

Nas primeiras décadas do século passado, a arte renova-se em diferentes movimentos, manifestos e ações, experiências e dinâmicas. Procurando encontrar-se mais próxima das transformações do tempo de agitação e inovação que se vivia na época e potenciando-o, reflectindo sobre ele e/ou tornando-o como referência, trilharam um futuro em aberto. Falamos de um século corrido, de novas práticas, linguagens, com novas abordagens, outras perspectivas e outras reflexões. Que legados temos hoje? Que diferenças e distâncias? Que proximidades e controvérsias?

Neste mundo global, hipereferenciado, conectados a “tudo” e a “todos”, num tempo e espaço quase simultâneos, somos nós ready-mades sem escapatória possível? Praticamente todas as vanguardas lançaram manifestos – textos/programa que divulgavam as propostas das novas formas de expressão artística e definiam estratégias concetuais e formais para alcançá-las em termos de práticas. Todas elas tinham uma intenção comum: romper radicalmente com os princípios que orientavam a produção artística do século XIX. O termos vanguarda tem assim um carácter de ruptura, de choque e de abertura. Ruptura com os valores e princípios do passado; Choque com as expectativas do público; Abertura a novos modos de olhar e interpretar a realidade em permanente estado de transformação.

Duchamp ao expor a sua Fonte, um urinol assinado com o pseudónimo de R.Mutt (conhecido fabricante de sanitários), no Salão dos Independentes, referente também à palavra “mutation” (mutação) e à palavra mudo, de calado, competindo com as obras de outros escultores, traz o ready-made como forma de explicitar as novas relações que se estabelecem actualmente entre produção e artista, produção e recepção especializada e não especializada. Considerando a fonte de Duchamp como a própria expressão de um manifesto, um manifesto objetual e ação, um manifesto carregado da ironia do artista no seu descomprometimento com a própria noção de obra de arte e do seu estatuto? Ou seja, e desde o seu “aparecimento”, ao seu “desaparecimento” até ao “atentado” que sofreu, em 2006, no Centro Pompidou em França, continua esta a gerar diversas manifestações de sentido e de posicionamento crítico que a própria obra em si contém? Se os próprios manifestos podem ser textos, imagens, objectos, se os livros também são ditos como fontes, como registos de momentos que fazem história, então e os livros de artista? Que papel, função, expressão, que lugar, que tempo, que questões, que respostas nos podem trazer?